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The Last of Us – O que você é capaz de fazer por amor?

Fran Borges


Como voltar a ser humano, como voltar a amar? O que é certo ou errado? Você é realmente capaz de julgar e dizer o que você faria?

Eu não sou uma gamer, já começo deixando isso claro ou seja, essa é a visão de alguém que teve contato com essa história apenas pela série. Quando ouvi falar de The Last of Us eu não fazia a menor ideia do que se tratava. Sim, aparentemente, eu vivo em um bunker pessoal.


E o que me chamou a atenção nessa história? Sendo bem honesta, eu assisti Narcos na Netflix, depois Mandalorian na Disney (informação importante: eu AMO Star Wars) e aí você me pergunta o que isso tem a ver e acho que muitos já sabem a resposta: Pedro Pascal.


Comecei a acompanhar as notícias e quando assisti ao trailer pensei “isso vai ser bom” e foi uma das melhores experiências dos últimos tempos. Eu confesso aqui a minha ignorância de não imaginar o quanto um jogo de vídeo game poderia ser tão profundo, filosófico e reflexivo.



Você vai ouvir por aí que The Last of Us é uma história pós-apocalíptica com zumbis, não caia nessa. Essa base é uma desculpa para te contar uma história de amor e o quanto esse sentimento pode nos mover, ser algo lindo e também muito perigoso.


Essa história fala de sobrevivência, o que somos capazes de fazer para sobreviver, qual o seu limite? Existe limite? Situações desesperadoras e extremas fazem com que a gente entre em contato com o nosso lado mais primitivo, a capacidade de agir por instinto. Você luta mesmo sem entender direito o motivo.


Essa história fala de amor. O que somos capazes de fazer para defender alguém que amamos? Em um mundo onde uma grande parte da humanidade morreu, tudo que você conhecia e entendia acabou. Como voltar a ser humano, como voltar a amar? O que é certo ou errado? Você é realmente capaz de julgar e dizer o que você faria? Muitos dizem que quanto mais rápido julgamos e apontamos o dedo é porque temos a certeza ou o medo terrível, ainda que inconsciente, de que faríamos exatamente o mesmo.



Momentos tão extremos conseguem trazer o nosso melhor e o nosso pior, muitas vezes ao mesmo tempo. Como viver com isso, lidar com isso todos os dias nesse mundo onde a perda, o luto, a dor é constante. Não que não seja, mas você me entendeu.


Fazendo um paralelo com a pandemia pela qual passamos nos últimos anos, muito se ouvia que a humanidade sairia melhor, que precisávamos mudar. E sim, vimos uma grande capacidade de solidariedade, mas também o quão horríveis as pessoas conseguem ser. The Last of Us não é diferente.


Muitas vezes no show você ouve a frase “tenha cuidado, lá fora tem coisa muito pior que os infectados” e tem. Você pensaria que seria um momento de união, vamos todos juntos ou quem sobrou sobreviver, mas não é isso que acontece. Regimes autoritários se levantam, os mesmos preconceitos de classe, raça, gênero permanecem.



A sobrevivência parece pedir que você aniquile o outro. Você imediatamente pensa somos uma porcaria, mas como pedir coletividade de um mundo que só aprendeu a viver no individual. O sistema é egoísta e qual a surpresa de formar seres egoístas? Nenhuma, mas ainda nos surpreendemos. Difícil aceitar não é. Somos capazes de grandes gestos solidários, mas também das coisas mais horríveis.


The Last of Us constrói essa história de amor linda e terrível de um pai e uma filha que salvam um ao outro de todas as formas possíveis, mas também se machucam, até porque, só uma pessoa que você ama muito é capaz de fazer as duas coisas.


OBS: Que elenco, todos dão um show, mas é claro, preciso dizer que Pedro e Bella te comovem e te machucam de uma maneira inexplicável, ou talvez, apenas humana.


 



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