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Mazelas e fantasmas da sociedade

Quando dois dos maiores poetas dessa geração de compositores coincidentemente cantam sobre a mesma coisa e utilizam as mesmas metáforas não é coincidência. É o reconhecimento de como a sociedade está se sentindo.




Há algumas semanas eu analisei o videoclipe da música Casa Assombrada da banda Fresno. No mês passado Taylor Swift lançou seu novo álbum, Midnights, e com ele o videoclipe do single Anti-Hero.


O videoclipe se passa também em uma casa assombrada e a música fala sobre fantasmas internos que a assombram durante madrugadas insones.


Eu, particularmente, considero Taylor (norteamericana) e Lucas Silveira (brasileiro), da Fresno, dois dos maiores poetas e compositores da geração atual. E convido você, que ainda não os ouviu, a dar uma chance.


O que Taylor e Lucas têm em comum é a coragem de falar sobre os próprios traumas sem medo de se colocar como problema e solução para suas questões internas.


A sinceridade e, muitas vezes, brutalidade da escrita os coloca no patamar de vozes da sociedade.


Além disso, eles utilizam de metáforas extremamente transparentes que permitem assimilação do público.


Dessa parafernalha literária, que é recurso para ambos, se destaca o fantasma e a casa assombrada. Para entender melhor sobre como o sobrenatural funciona na construção do texto de ficção eu indico o livro Introdução à literatura fantástica de Tzvetan Todorov, e foi esse livro que eu utilizei para basear a análise que faço aqui.


Enquanto o refrão de Lucas é “A minha casa é assombrada. São meus esses fantasmas.” Taylor nos conta que “Sou eu, oi. Eu sou o problema sou eu.” Tudo fica ainda mais expressivo quando Taylor utiliza também a alegoria dos fantasmas vivendo livremente, e a sabotando, dentro de sua própria casa.


O que quero dizer é, os fantasmas e a casa assombrada são metáforas que comportam muito a sociedade, principalmente os jovens adultos e os adultos, dessa geração ao qual ambos compositores, na casa dos trinta, também pertencem.


A percepção de que somos consequência de traumas das gerações passadas vivenciando novos traumas é essencial para acolhermos não apenas nossa culpa, mas nossos fantasmas.


Reconhecer o seu dano é crescimento. A alta procura por terapeutas desde a pandemia é uma prova desse movimento de consciência desta parcela da sociedade.


Ao final do videoclipe de Anti-Hero Taylor Swift reúne as três versões de si mesma e todas elas acolhem umas as outras. É toda a esperança da sociedade assombrada pelos fantasmas e versões antiheróicas de si mesmos. Que possamos quebrar os ciclos e nos aceitarmos com equilíbrio.


Você pode acessar aqui e aqui os videoclipes citados e o post sobre Casa Assombrada.


 

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